PALMEIRA DOS ÍNDIOS – Alagoas

PALMEIRA DOS ÍNDIOS – Alagoas

Palmeira dos Índios

As terras ocupadas pelo município de Palmeira dos Índios constituíam primitivamente um aldeamento dos índios Xucurus, que aí se estabeleceram no meado do século XVII. Tinham esses indígenas o seu habitat cercado de esbeltas palmeiras, bem próximo ao pé da serra onde hoje se ergue a cidade de Palmeira dos Índios. O nome do município veio, pois, em consequência dos seus primeiros habitantes e do fato da abundância de palmeiras que então havia em seus campos. Os gentios formaram seu aldeamento entre um brejo chamado Cafurna e a serra da Boa Vista. Diz a tradição que mais ou menos em 1770 chegou a região Frei Domingos de São José, conseguindo converter os gentios ao cristianismo. Posteriormente, o franciscano obteve de D. Maria Pereira Gonçalves e dos seus herdeiros a doação de meia légua de terra para patrimônio da capela que aí foi construída, sendo consagrada ao Senhor Bom Jesus da Morte.

Sabe-se que, desde 1833, o coronel José Daniel da Flexeiras vinha ocupando o cargo de Juiz da Paz do então distrito de Palmeira dos Índios. Os parentes Canutos, Holanda e Veiga, moradores nos lugares denominados Caldeirões de Baixo e Gravatá-Assu, eram seus grandes auxiliares. Nessa mesma época, a pessoa de grande influência e prestígio neste termo era o vigário da freguesia, padre José Caetano de Morais, que tinha íntimas relações com os governos da ex. – Província, sendo eleito deputado à Assembleia Provincial em várias legislaturas. Daniel, sabendo que havia estremecimento nas relações do vigário com o Juiz de Direito da comarca, Dr. Fonseca Lessa, procurou tirar partido desse acontecimento, culpando o vigário José Caetano de Morais e o seu sobrinho, tenente-coronel Tavares Bastos, tratando logo, com o Juiz de Paz, de colher os indícios e provas para o processo. O vigário José Caetano, que se tornou inimigo rancoroso do Juiz de Paz, entendeu de tomar desforra deste e de seus parentes e auxiliares Canutos, Veigas e Holandas. De fato, com o prestígio de que gozava, apresentou e conseguiu em poucos dias fazer um projeto, que foi logo convertido na Lei nº 7, de julho de 1839, separando do termo de Palmeira dos Índios e anexando à freguesia de Assembléia os sítios Flexeiras, Caldeirões de Baixo, Lajes e Gravatá-Assu, e colocando fora do município os Daniéis, Holandas e Canutos, seus adversários. O Projeto do vigário José Caetano, cortando parte de sua freguesia e do município, com o fim de expulsar de sua vizinhança o poderoso José Daniel com todos os seus parentes, estabelecia como divisória uma linha tortuosa ou quebrada, de modo a poder salvar para Palmeira dos Índios, como efetivamente aconteceu, o importante sítio Pau-Sangue, bastante povoado e que pertencia a seus dedicados amigos, os ricos fazendeiros Matias da Costa Barros e Manoel Vitorino da Costa Barros. Tudo o mais – Lajes, Flexeiras, Caldeirões de Baixo e Gravatá-Assu – foram lançados para a freguesia da então Vila de Assembleia, porque tais lugares eram as moradias de seus implacáveis inimigos.

As lutas políticas que se seguiram ao ano de 1844 deram lugar aos bárbaros assassinatos do Vigário José Caetano, tenente-coronel Manoel Tavares Bastos, Chagas Pinto, Luiz Jucá, José Roberto, Adrião Melo, Antônio Barbosa de Caldeirões e dezenas de cidadãos importantes do termo de Palmeira. Como consequência desses fatos, deu-se o êxodo das famílias importantes: Matias da Costa Barros, Manoel Vitorino, coronel Manoel Antônio, Savino José de Oliveira, José Joaquim Duarte, Simplicio Fonseca Barbosa, Antônio Isidoro e outros. Quase que se despovoou o município de seu pessoal mais idôneo para os cargos públicos. Esses acontecimentos determinaram a supressão de sua Vila, que foi anexada a Anadia. Posteriormente voltaram para a freguesia e distrito de Palmeira dos Índios, os sítios Lajes, Caldeirões de Baixo e Gravatá-Assu, tornando também para o distrito e freguesia de Palmeira não mais o poderoso coronel José Daniel, por já ser falecido a esse tempo, mas o seu genro, coronel José Cândido e todos os Holandas, Canutos e Veigas, lançados para fora no tempo do Vigário José Caetano.

A data certa da criação da freguesia não é conhecida. Segundo Espíndola, é 1798. Outros dão 1789, parecendo, talvez, troca dos dois últimos algarismos. Está sobre o padroado de Nossa Senhora do Amparo. A vila de Palmeira dos Índios foi criada pela resolução nº 10, de 10 abril de 1835, desmembrada da vila de Atalaia. Sua instalação tornou-se válida depois da Resolução nº 27, de 12 de março de 1838. Foi suprimida pela Lei nº 43, de 23 de junho de 1853, elevada a categoria de cidade pela Lei nº 1113, de 20 de agosto de 1889. Seu termo fazia parte, desde a criação, da comarca de Atalaia, passando, em 1838, para a de Anadia.

Em 1872, pela Lei nº 624, de 16 de março, foi criada à sua comarca com o seu termo e o de Quebrangulo, desmembrado de Viçosa, e que passou a ser comarca pela Lei nº 1473, de 17 de setembro de 1949.

Palmeira dos Índios perdeu os distritos de Igaci (1957, juntamente com Arapiraca que também cedeu parte de seu território para a formação do novo município), Cacimbinhas (1958), Minador do Negrão (1962) e Estrela de Alagoas (1991), elevados a categoria de municípios. Segundo a atual divisão administrativa do Estado, o município é formado por 3 distritos: sede, Caldeirões de Cima e Canafístula.

Conhecida como a “Princesa do Sertão”, Palmeira dos Índios tem também sua origem ligada à lenda do casal de índios Tilixi e Tixiliá. Conta-se que, há 200 anos atrás, Tixiliá estava prometida ao cacique Etafé, mas era apaixonada pelo primo Tilixi. Um beijo proibido condenou Tilixi à morte por inanição. Ao visitar o amado, Tixiliá foi atingida por uma flecha mortal de Etafé, morrendo ao lado de Tilixi. No local, nasceu a palmeira, que simbolizava o amor intenso do casal.

A cidade tem como atrações turísticas o Museu Xucurus (que fica na igreja do Rosário, construída pelos escravos do século XVIII), Casa Museu de Graciliano Ramos (com pertences legítimos), Aldeia da Cafurna (aldeia com remanescentes dos Xucurus e Cariris), além do Cristo do Goiti com o teleférico (vista panorâmica da cidade). Entre as festividades, destacam-se a Festa de Reis (janeiro), Semana do Índio (abril), Festival da Pinha e São João (junho), Emancipação e Feira de Arte e Cultura (agosto), Semana Graciliano Ramos (outubro) e a festa de N. Sra. do Amparo (dezembro).

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