APIAÍ – SP

APIAÍ – SP

Conta-se que Francisco Xavier da Rocha, obrigado a fugir de Minas Gerais, onde havia sido Capitão-Mor de um de seus arraiais, por crime ali praticado, veio parar nestas regiões, ao sul, com 150 escravos, fundando então um pequeno povoado. Sabendo, por intermédio de um caçador de Itapetininga, da existência de ouro nas nascentes do Rio Apiaí (Rio Menino na língua Tupi Guarani), vindo então a estabelecer-se no lugar, de nome Capoeiras (hoje o Distrito de Araçaíba – Apiaí – SP), tendo depois seguido adiante fundando uma das primeiras povoações, que dariam origem ao Município de Apiaí, com o nome de santo Antônio das Minas.

A primitiva vila que deu origem à cidade de Apiaí, localizou-se em três lugares diferentes, sendo a mais antiga, hoje conhecido como Vila Velha dos Peões, distantes alguns quilômetros de Apiaí atual, compunha-se de escravos e aventureiros, dispostos a mudarem- se para o primeiro lugar lhes oferecessem melhores vantagens. Foi assim que à procura de ouro muitos foram estabelecer-se junto ao Morro do Ouro (localizado no centro do município), dando origem a outra povoação.

Mais tarde, correndo ali um desmoronamento em que cem pessoas morreram soterradas, paralisando-se a mineração, visto que o Morro estava com muitas escavações para a exploração do precioso ouro, podendo ocorrer novos desmoronamentos, mesmo porque não havia ouro em quantidade suficiente para satisfazer a ambição de todos os exploradores (ingleses, americanos e os japoneses), muitos abandonaram o lugar e outros embrenharam-se nas matas vizinhas dedicando-se a lavoura.

“O barro dá escondido. (…) Ele dá escondido, mesma coisa do ouro”, foi como a artesã Ana Gonçalves descreveu em 1989 a sua habilidade artística em cerâmica, na inscrição que está em uma placa no acervo da Casa do Artesão de Apiaí. Praticamente uma das maiores cidades do Alto Vale do Ribeira, Apiaí é um município de interesse turístico (é MIT desde junho de 2018) cuja importância regional está ligada tanto à produção de cimento industrial e cerâmica artística, como foi no passado, quando produziu jazidas de ouro.

Mas é exatamente nesses quesitos ligados à sua história é que essa cidade paulista, com uma população de 24,4 mil habitantes (pelo IBGE de 2019) e localizada a 320 km de São Paulo, mostra que sabe muito bem atrair turistas. E não são poucas as atrações de Apiaí.

A começar pela topografia (montanhosa, com declives e planaltos), por ter muitas grutas e cachoeiras, a cidade é rodeada pela maior área remanescente de Mata Atlântica do País e sua região é declarada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial. O município está situado a 1050 m acima do nível do mar, sua riqueza paisagística se compõe de recursos naturais de rara beleza e não é à toa que é chamado de “O Portal da Mata Atlântica”.

Apiaí tem clima frio, muito úmido, chamado de subtropical temperado marítimo, sendo que em apenas duas ocasiões os apiaienses chegaram a ver queda de neve (em 1942 e 1975).

O ouro deixou de ser explorado somente em 1942. Apiaí possui hoje uma Reserva Biológica Municipal de 2.247 alqueires de área, para preservar o remanescente florestal e possibilitar atividades de turismo educacional. Apiaí fica no ponto mais alto da Serra de Paranapiacaba, é uma das portas de entrada para o PETAR (o Parque Estadual Turístico do Alto Vale do Ribeira), que recebe 42 mil pessoas anualmente, onde há rios, cachoeiras, 474 cavernas, biodiversidade e esportes radicais em meio à Mata Atlântica para fazerem a alegria de qualquer visitante.

Já na cidade, os turistas podem contar com hotéis, pousadas, restaurantes e opções de compras de peças artesanais e comidas típicas da região. Um dos equipamentos turísticos da cidade, a Casa do Artesão possui acervo de mais de 570 obras em cerâmica feitas por moradores da zona rural, onde também se podem comprar peças utilitárias e decorativas e até compotas de doces.

No Parque do Morro do Ouro, de 570 hectares, há trilhas e mirantes, além de ruínas das antigas minas de exploração do ouro, em Apiaí.

Principais Pontos Turísticos:
Núcleo Caboclos: O Núcleo Caboclos está localizado entre os municípios de Apiaí e Iporanga, situa-se na parte central do PETAR. O acesso ao núcleo, por veículos é feito por estrada não-pavimentada Banhado Grande – Espírito Santo, a partir do km 294 da rodovia SP-250, a 26 km e 37 km das cidades de Apiaí e Guapiara, respectivamente. Após 8 km situa-se a guarita de recepção e fiscalização do núcleo, nos limites do PETAR e mais 9 km chega-se ao núcleo, num percurso total de 17 km. Este núcleo fazia parte de um antigo caminho de tropeiros, com estradas que permitiam tráfego de carroças ou muares que possibilitavam o comércio de escambo entre o Vale do Ribeira e o planalto, da cidade de Iporanga até as cidades de Apiaí e Itapeva. A região adjacente ao Núcleo, com ênfase ao Morro do chumbo e a Mina do Espírito Santo, fez parte do ciclo de mineração do chumbo e da prata, a partir da 2ª metade do século XIX, sendo estudada por pesquisadores e viajantes de renome. Nos anos 30 (século XX) funcionaram, por pouco tempo as minas do Braço Pescaria e do Espírito Santo, onde ocorreu a primeira tentativa de instalação de uma metalurgia de chumbo no Brasil, em 1934. Embora tenha tido uma duração efêmera, representa um importante marco histórico. No local implantado o primeiro forno de fundição de chumbo do Brasil.

Núcleo Santana: O Núcleo Santana está localizado a 23 km do município de Apiaí. O acesso se dá por meio de estrada não–pavimentada, sendo 20 Km em estrada estadual até a entrada do núcleo e mais 3 km dentro do parque, que podem ser feitos de automóvel até o estacionamento, que é próximo aos quiosques dos monitores, de onde saem os passeios. O núcleo foi inaugurado em 1989, mas é certo que desde a década de 50, a caverna Santana (nome atribuído em homenagem a Sant’Ana, maior símbolo católico da região), possuía visitação constante de estudiosos e pesquisadores. Este é o Núcleo que recebe o maior fluxo de visitantes do PETAR (cerca de 80%). A caverna de Santana, que dá nome ao Núcleo, é o seu principal atrativo, tanto pela sua extensão quanto pela beleza de suas ornamentações.

Caverna Santana: A trilha que leva à Caverna Santana é de fácil acesso tem aproximadamente 200 metros do quiosque dos monitores, sendo permitida a entrada de crianças e idosos. Ela tem cerca de 6 km de extensão, no entanto, apenas 500 metros formam um circuito turístico, cujo monitoramento é obrigatório. Este circuito tem duração média de 01 hora e meia. No interior da caverna existem escadas e pontes de bambu e madeiras para facilitar o acesso dos visitantes.

Cachoeira Andorinha e Beija Flor: Para se chegar nessas cachoeiras é necessário percorrer uma trilha de 4200 metros, que saí do quiosque dos monitores, subindo o Rio Betari, um dos mais belos rios da região. Durante a trilha, o visitante terá que atravessar o rio várias vezes, o que deixa a caminhada mais excitante e divertida.

Núcleo Ouro Grosso: O Núcleo está localizado a 25 Km do município de Apiaí, no Bairro da Serra, pertencente ao município de Iporanga. Foi inaugurado em 1998, coincidindo com a comemoração dos 40 anos do PETAR. O Núcleo é voltado para a Educação Ambiental, possuindo um alojamento para 46 pessoas com infraestrutura de sanitários, chuveiros, cozinha, centro de visitantes, museu tradicional e a casa de farinha. No centro de Visitantes são desenvolvidas atividades de divulgação da Unidade de Conservação, atividades culturais locais, cursos e programas de educação ambiental.

Caverna Ouro Grosso: Do núcleo até esta caverna são apenas 200 metros. Esta caverna é perigosa, segue o curso de um rio subterrâneo, bastante acidentado, em alguns lugares formam-se piscinas com até 2 metros de profundidade. Em algumas galerias é preciso de corda para vencer os obstáculos. Para quem gosta de adrenalina e está acostumado com ambientes perigosos esta é a caverna certa!

Morro do Ouro: A Mata Atlântica, onde está localizada Apiaí, é considerada uma das mais ricas áreas em diversidade e endemismo biológico do Planeta. Originalmente, cobria em torno de 15% da superfície do Brasil, numa faixa que se estendia do Sul ao Nordeste do país. Hoje, somente 8,8% dessa área é remanescente. As variações de altitude, aliadas ao clima úmido, às altas temperaturas e à abundância de mananciais de água, acabaram por formar um ecossistema de grande biodiversidade, com altos índices de endemismo. Em sua área são encontradas 436 espécies de aves, com destaque para o papagaio de cara roxa ou chauá, variada fauna aquática, com exemplos de endemismo, como o bagre-cego, e vários mamíferos, como o macaco-muriqui, o veado mateiro e o mico-leão de cara preta. Os dois últimos, recentemente descobertos (1990), já estão ameaçados de extinção. Além dessas, várias outras espécies de plantas e de animais têm o seu habitat exclusivo nessas áreas. São mais de trezentas cavernas na região, uma das maiores concentrações do Brasil, algumas reconhecidas internacionalmente por sua beleza e interesse científico. Pode-se citar a Casa de Pedra, com portal de entrada de 215 metros de altura e a caverna Santana, que apresenta grande diversidade de espeleotemas. Inúmeras cachoeiras pontuam o curso dos rios que correm para a serra do mar. Na zona da costa, além de mais de dois mil quilômetros de mangues intocados, há ilhas com praias e dunas antigas, além de ilhas rochosas, onde pode ser encontrada uma impressionante riqueza de fauna marinha.

Casa do Artesão Um dos lugares mais importantes a serem visitados em Apiaí, tanto pelo interesse histórico, quanto pelos atrativos artísticos, é um casarão do início do século XX, situado à Praça Jonas Dias Batista, nº 9, no Centro da cidade, onde está localizado o Museu “Casa do Artesão”. Nesse local vem sendo preservado um acervo de 570 peças em cerâmica, produzidas por pessoas simples da Zona Rural, composto de figuras zoomórficas, urnas, potes e moringas das mais variadas formas e dimensões, que atraem a atenção de pesquisadores, estudantes, artesãos e turistas de todo país. Além do aspecto cultural do Museu, de relevante importância histórica, por ter sido abrigo de soldados durante a Revolução de 1930, há que se considerar a arquitetura dos casarões construídos no início do século XX: fachada com janelas e portas de grandes dimensões, pé direito alto, salas amplas, e o ar de um passado romântico, típico do interior paulista.

Na Casa do Artesão, o visitante poderá adquirir peças utilitárias e decorativas em vários materiais, e também produtos alimentícios artesanais, como compostas e licores. Vale a pena conferir.

Monumento: A Conquista da Lua Devido ao grande acontecimento que foi o homem pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, o prefeito Sr. João Cristino dos Santos, popularmente conhecido como Seu Janguito, mandou construir um monumento em homenagem ao acontecimento. Ali está representada a lua em se quarto crescente (fase da lua no ocorrido) e no aniversário do município daquele ano (1969), inaugurou-se o monumento com uma placa com os seguintes dizeres: “Apiaí aclama os conquistadores da Lua. 20 de julho de 1969”. Essa manifestação municipal teve grande repercussão, tendo o prefeito recebido da NASA, um ofício autografado pelos tripulantes da Apollo II. O conteúdo afirmava que Apiaí era o único município brasileiro a comemorar com um monumento. O tal ofício, por ser de grande valor foi emoldurado e deixado no Museu Municipal. Um certo tempo depois, no entanto, desapareceu.
Coreto: O primeiro coreto foi construído no ano de 1929, pelo então prefeito, Sr. Cândido Dias Batista, sendo na época o principal monumento de Apiaí e muito bem frequentado, pois sempre havia apresentação da Banda e era um verdadeiro ponto de encontro para os moradores de Apiaí. Em 1950 o prefeito Tharcílio Pacheco de Carvalho mandou demoli-lo por não reconhecer a importância daquela obra arquitetônica. Somente no ano de 2000, na gestão de Donizzetti Borges Barbosa, é que o Coreto foi reconstruído exatamente como era no princípio, no mesmo local Praça Jonas Dias Batista, com o objetivo de resgatar a cultura e história de Apiaí.

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