Os primeiros visitantes da região são Padres Missionários, no século XVI e no século XVIII. Com a descoberta de ouro em Goiás e Mato Grosso, aumenta o interesse pela região. Surgem, então os bandeirantes, que buscam riquezas minerais também nessa região e passam a explorar o Vale do Rio Guaporé. Como suas terras pertencem à Espanha devido ao Tratado de Tordesilhas, de 1722 a 1747 várias negociações são feitas e se redefine a posse de cada País através dos Tratados de Madri e de Santo Ildefonso.

Portugal passa a ter o domínio da região e para defendê-la, em 1776, militares ocupam a área e fundam o Forte do Príncipe da Beira, junto ao Rio Guaporé, estimulando a implantação dos primeiros núcleos coloniais. Um grande surto de colonização acontece com o auge do ciclo da borracha, no final do século XIX, quando muitos nordestinos migram para a área e se constrói a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em 1903, e faz-se a ligação telegráfica, estabelecida por Cândido Rondon.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, ligando Santo Antônio do Madeira a Vila Bela, na confluência do Beni-Mamoré, com 366 km de extensão, tem sua inauguração em 1912. Atrai imigrantes bolivianos, espanhóis e gregos. Porto Velho é elevada a Cidade em 1919. Em 1943, os Municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim, ricos em borracha, cassiterita, pescado, castanha-do-pará, couros e peles silvestres, são desmembrados dos Estados do Amazonas e Mato Grosso e formam o Território Federal do Guaporé, com Capital em Porto Velho. Passa a se chamar Rondônia em 1956, homenageando ao Marechal Rondon, desbravador dos sertões de Mato Grosso e da Amazônia. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré se incorpora, em 1957, à Rede Ferroviária Nacional S.A., e em 1966 é entregue ao Ministério do Exército para que, aos poucos, vá fazendo a substituição pela estrada de rodagem.

O Território só começa a se desenvolver por volta das décadas de 60 e 70, quando a política de incentivos fiscais e os grandes investimentos do Governo Federal estimulam a migração e os empresários se interessam em investir em agropecuária e na extração madeireira. Formam-se inúmeros aglomerados urbanos ao longo da BR-364, deslocando a importância econômica para esses Municípios. Ocorrem derrubadas e queimadas na floresta, mas como a infraestrutura urbana era muito deficiente, a malária tornou-se comum.

A população cresce quase oito vezes em duas décadas. A ferrovia é desativada em 1972. Com a grande quantidade de migrantes que chega devido à descoberta de cassiterita e ouro, o Território passa a ter problemas. A exploração é feita de forma predatória e com grande impacto ambiental. Causa a erosão do leito e das margens do Rio Madeira, contaminação das águas por mercúrio, poluição por óleo e sedimentação do canal navegável, chegando a comprometer a BR-425 que vai até Guajará-Mirim. No local são encontrados fósseis de mastodontes e tatu-gigante, entre outros.

No final dos anos 70 e início dos 80 a migração aumenta com o objetivo do trabalho na agricultura. A malária já é suportada e, apesar das limitações tecnológicas, a produção agrícola cresce. Cresce, então, a necessidade de transformá-lo em Estado, o que ocorre em 1981. A Ferrovia Madeira-Mamoré volta a funcionar em 1981, mas para fins turísticos apenas, num trecho entre Porto Velho e Santo Antônio. Os migrantes continuam chegando ao Estado, mas a economia já mostra sinais de declínio.

Em 1987, entra em litígio de terras com o Acre, na Ponta do Abunã, uma região de terras férteis e valiosas pedras de brita, chegando a ter intervenção do exército para garantir que o Governo do Acre acate um parecer do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que dá ganho de causa a Rondônia. A economia é limitada à agropecuária e ao extrativismo vegetal e mineral, e a infraestrutura urbana é deficiente. Na década de 90, a floresta tem 30% de sua área devastada, há sérios problemas de corrupção político-administrativa, tráfico de drogas na fronteira com a Bolívia e a Colômbia e de violência dos grandes proprietários contra colonos e posseiros e milhares de famílias que vivem na região aguardam a distribuição de terras pelo Incra.

O Estado é um mosaico de diversas culturas, sem ter ainda uma cultura própria, devido ao grande número de migrantes, oriundos principalmente de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo, além de outros países, como Bolívia, Líbano, Barbados e Japão. Na culinária, são bastante consumidos os peixes amazônicos, o pão-de-queijo e a farinha mineira, a polenta paranaense, o churrasco gaúcho. Do Rio Grande do Sul também veio o chimarrão. Quanto ao vocabulário, as influências também são diversas: em algumas cidades é bastante comum o uso do “guri” gaúcho, e em outras o “piá” paranaense. Na zona rural, entre os mais velhos, é bem usado o “tchê” tipicamente gaúcho. Nas cidades, entre os jovens, até poucos anos era usado o “piseiro”, gíria local com o sentido de festa, bagunça. Ainda hoje, os jovens usam o termo local “pocar”, que na maioria das vezes passou de pai para filho, e que pode ter dois sentidos: sair, ir embora (“amanhã eu vou pocar para o Amazonas”) ou, quando dito “pocado”, pode significar quebrado (“o carro já está todo pocado”).

Esse uso é menos comum, e “pocar” não pode significar quebrar; apenas “pocado” é quebrado. Outra palavra local é “data”, no sentido de terreno. No dicionário, essa palavra tem como um dos seus vários significados “um terreno doado pelo Governo”. Em Rondônia, no entanto, “data” se refere a todos os terrenos. Há também o “caçar”, que quer dizer procurar (“eu estava caçando você ontem”, “ele estava mesmo caçando encrenca”). Porto Velho é o maior polo turístico da região, possuindo boa infraestrutura para receber turistas, com hotéis de qualidade e restaurantes variados.

Nela pode-se ver o Museu da Estrada de Ferro, as Caixas d’Água Três Marias e o Museu Estadual e em torno do Rio Madeira: a Praia de Santo Antônio. As Lagoas do Belmont e Cuniã, ou as Praias dos Periquitos e Areia Branca também são boas opções. Outros Municípios estão investindo no turismo como Ji-Paraná, no turismo de eventos; Guajará Mirim no ecoturismo e turismo histórico-cultural, além da Área de Livre Comércio e Costa Marques, no ecoturismo e turismo histórico, representado pelo Forte Príncipe da Beira, além de desenvolver o Projeto de Quelônios da Amazônia. A Ferrovia Madeira-Mamoré faz o turista voltar ao passado, além de ver uma linda paisagem fluvial.